segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Visita guiada à Casa Fiat de Cultura - Marc Chagall

Logo na entrada da exposição de Chagall havia uma placa com um texto que fala um pouco sobre o ano da França no Brasil, o qual me limito a transcrever abaixo:

“’Minha arte tinha suas raízes fincadas no solo de Vitebsk, mas, sendo árvore, ela precisava de Paris como da água, sem a qual iria secar e morrer.’ Essas palavras, ditas por Chagall na célebre entrevista concedida a James J. Sweeney e publicada em 1949 na Partisan Review, são úteis para se poder fruir plenamente esta bela exposição que abrigamos na Casa Fiat de Cultura.
A frança de Chagall é a França que se celebra em 2009, ano a ela dedicado no Brasil: o país que acolhe, absorve e acalenta.
Nesta casa ítalo-brasileira, queremos ser assim: universais no acolhimento às várias expressões da cultura, na absorção da diversidade como único fundamento aceitável da unidade do humano, no acalentar sonhos como integrantes necessários do real.”

Podemos observar a intertextualidade em Chagall, dentre tantas outras situações, com contos como o da "Raposa e as uvas" de La Fontaine, como na gravura abaixo:


Já na pintura abaixo, podemos verificar a intertextualidade existente entre a mesma e um texto bíblico no qual Sansão destroi as colunas da casa dos filisteus.


"Marc Chagall foi um dos pioneiros da modernidade e um dos artistas mais notáveis de seu tempo, tendo participado das grandes transformações que ocorreram nas artes plásticas no início do século 20.

Apesar de seu intenso convívio com as vanguardas, sua expressão seguiu um caminho próprio, independente.

Ele nasceu em 6 de junho de 1887, em um bairro de judeus pobres em Vitebsk, na Bielo-Rússia, que, naquele tempo, pertencia ao império russo. O período era hostil para os judeus, vítimas constantes do chamado pogrom, palavra que, em russo, significa ataque violento a pessoas, com a destruição de suas casas, negócios e centros religiosos. Foi nesse ambiente que Chagall cresceu e se iniciou como artista. Tratava-se, porém, de uma época de grandes transformações, e, sob esse ângulo, ele teve o privilégio de participar de um ambiente “revolucionário” e de destacar-se como uma das identidades mais expressivas de sua geração.

A cultura judaica representou o âmago de sua pintura. Sua família pertencia ao grupo religioso chamado hassidim, no qual a relação com Deus se dá por meio de intensa alegria, à procura do êxtase. Esse sentimento impregnou toda a sua obra. Mesmo vivendo a maior parte da vida na França, Chagall carregou sempre consigo a memória de sua aldeia, do bairro de judeus pobres de Vitebsk.

Ele admirava os ícones e a arte popular russa. Recebeu influência de Cézanne, principalmente na construção do espaço, e adotou os ensinamentos cromáticos de Matisse e Bonnard. Nota-se ainda, em sua obra, o interesse pelo cubismo analítico de Picasso. Entretanto, Chagall é Chagall, inconfundível, criador de uma poética sensual, de grande força lírica.

Colorista notável, dedicou-se à pintura e à gravura com o mesmo afinco. Realizou vitrais, mosaicos, cerâmicas e esculturas. Foi um artista completo, autor de obra extensa.

Marc Chagall faleceu na tarde de 28 de março de 1985, depois de ter passado a manhã trabalhando em seu ateliê. Morreu suavemente, aos 97 anos, em Saint-Paul-de-Vence, no sul da França.

Fabio Magalhães
Curador da exposição"

Fonte: arquiteteseusonho.blogspot.com, "www.casafiatdecultura.com.br", e "

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