
Em nosso último sábado letivo, 26/09/2009, tivemos um seminário sobre Alberto Caeiro, um dos heteronômios de Fernando Pessoa, poeta modernista português. As obras de Pessoa são bastante interessantes por sua criatividade, principalmente pelo fato de ter ele três heterônimos e cada um deles escrever de uma maneira diferente, além de usar seu próprio nome para assinar seus livros. Os heterônimos de Pessoa são: Alvaro de Campos, engenheiro portugues com educação inglesa; Ricardo Reis, médico e escritor; e Alberto Caeiro, de formação educacional bastante simples, mas, grande escritor. Seus poemas sempre foram muito simples e diretos e mostravam a busca fundamental do autor que era a completa naturalidade. Contradizia-se quando negava a racionalidade, mas, fazia uso da mesma para contextar aquilo com o que não concordava. Dizia que a natureza poderia viver perfeitamente sem o homem e que o mesmo era, tão somente, um "acidente de percurso". Em resumo, Caeiro era um naturalista. Sua poesia era da natureza, dos sentidos, das sensações puras e simples. Ele mesmo escreveu:
"Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem porque ama, nem o que é amar..."
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem porque ama, nem o que é amar..."
(II - O Meu Olhar - Alberto Caeiro)
Ele insistia em dizer que não filosofava, mas, grande parte do que fazia ou dizia, o era por meio da filosofia. Enfim, em minha opinião, Alberto Caeiro contestava o incontextavel e negava o inegável. Somos todos um pouco humanistas e também naturalistas; racionalistas e também, um tanto irracionais, por que não? Somos sim, seres inseridos em um mundo do qual somos parte e, impossível seria separar natureza e homem. Talvez, nem tanto pela natureza que, certamente passaria muito bem sem o homem - e neste ponto eu concordo com Caeiro - mas, muito provavelmente o homem não suportaria tal separação.
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