No sábado, dia 19 de setembro, tivemos a oportunidade de analisar textos e poemas de Edgar Alan Poe, Baudelaire, Ana Cristina Cezar e Carlito Azevedo.
Os integrantes da mesa falaram sobre o “flaneur” sob óticas diversas, sendo os componentes de tal debate, além dos alunos, professores de literatura, filosofia e psicologia.
O poema "A uma passante", foi interpretado de uma maneira diferente pelo professor Luiz. Ele falou da visão do “flaneur” enquanto presenciava a grande metrópole, Paris, se transformar quando do advento do industrialismo. Baudelaire, talvez com ares de tristeza e melancolia, escreveu o poema “A uma passante” mencionando, de maneira metafórica, uma mulher que passa suntuosa, de pernas esculpidas, belíssima. Não seria essa mulher a própria Paris? Que passa aos olhos do observador enquanto transforma-se completamente por causa da chegada das máquinas e indústrias? Poderíamos sim, interpretá-lo desta forma.
Foi mencionada também a questão do amor platônico. O amor que fez com que o eu lírico se apaixonasse, em especial, por saber que jamais veria sua amada novamente. Talvez por causa de uma morte iminente. Tanto que ele diz que a encontraria em outra vida. Provavelmente estivesse ele falando acerca de uma saudade de um tempo que não mais poderia ser vivenciado por ele em Paris, a não ser de maneira sobrenatural.
Mas, acrescento que, em se tratando de “flaneur”, e agora sim, vou conceituar essa figura, seria impossível deixar de falar de nosso saudoso Paulo Barreto, também conhecido como João do Rio. Um jornalista que preferiu deixar a mesa de um escritório para andar, “flanar” pelas ruas à procura de fatos sociais que posteriormente, tornariam-se crônicas para serrem publicadas no jornal em que trabalhava e, mais tarde, um belíssimo livro chamado A alma encantadora das ruas. O que então seria o “flaneur”? Essa figura curiosa e investigadora?
Poderíamos qualificá-lo como um “vagabundo intelectual” ou, simplesmente, um observador. Aquele que investiga, olha, acompanha com seus olhares ao que passa, vive, trabalha enfim, é um curioso.
João do Rio em suas crônicas narrativas denunciava um Rio de Janeiro “real” enxotado dos centros urbanos para as periferias, em contraponto ao Rio de Janeiro “oficial” empurrado garganta abaixo da população. A cultura e os costumes dos cariocas eram empurrados pela cópia grosseira de uma Paris que influenciava hábitos, vestimentas e até na arquitetura da época. João do Rio mostrava o descontentamento de grande parte da população na transição da monarquia para a república em nosso país. Do mesmo modo, Baudelaire demonstra seu próprio descontentamento com a transformação drástica de Paris ante seus olhos. Enfim, as obras de ambos os autores dariam várias e várias páginas de ótima discussão, mas, devido ao espaço e ao tempo, encerramos aqui nossa explanação sobre o assunto, deixando aí, uma “lacuna” para que nossos leitores possam comentar mais sobre João do Rio, Baudelaire e, certamente, sobre o “flaneur”.
Abaixo encontram-se dois vídeos. Um é o poema "A uma passante" de Charles Baudelaire. O outro, fala sobre João do Rio e a Alma encantadora das ruas, para que, quem não teve a oportunidade de ler esse livro, possa conhecer um pouco sobre o que falamos.
"A une passante - Charles Baudelaire"
"João do Rio - A alma encantadora das ruas"